
Por décadas, o Super Bowl foi vendido como o maior evento esportivo dos Estados Unidos — uma celebração do mérito, da competição e do entretenimento. No entanto, ano após ano, o intervalo da final tem sido capturado por agendas políticas travestidas de “expressão cultural”. A mais recente delas veio com a apresentação do cantor conhecido como Coelhinho Mau.
O show foi imediatamente alçado pela militância progressista ao status de “protesto político espontâneo”. Nada mais previsível. Tudo o que possa ser rotulado como anti-Trump ou anti-conservador recebe adesão automática da extrema esquerda, que confunde barulho com coragem e marketing com convicção.
O artista — mais um repetidor de clichês cuidadosamente embalados pela indústria cultural — apresentou um conjunto de imagens que, segundo a narrativa dominante, representariam a “cultura hispânica”. O pacote incluiu danças sobre uma picape, figurinos propositalmente sujos, performances em postes de transmissão de energia, coreografias ao lado de cortadores de grama e, claro, o uso do espanhol em um país cuja língua oficial e institucional é o inglês. Tudo calculado para provocar, nada para explicar.
Como microfone de aluguel do globalismo cultural, Coelhinho Mau reforçou a tese já conhecida: Estados Unidos e Europa deveriam manter fronteiras abertas a imigrantes ilegais e adaptar-se integralmente a eles. Curiosamente, a proposta nunca se aplica à China, à Rússia ou a países árabes. O ônus moral e econômico é sempre reservado ao Ocidente.
A contradição é a marca registrada dessa militância artística. O cantor diz amar Porto Rico, mas não escolhe viver lá. Critica os Estados Unidos, mas não abre mão do mercado consumidor e dos dólares que ele oferece. Flerta com o socialismo, mas não socializa nada do que é seu. Se apresenta como “antisistema”, enquanto é promovido, financiado e protegido pelo próprio sistema que diz combater.
Há ainda o silêncio ensurdecedor. Nem Coelhinho Mau, nem qualquer outro nome da classe artística mainstream, encontrou tempo ou coragem para comentar os arquivos de Jeffrey Epstein. O tema simplesmente não existe quando ameaça os aliados certos. A seletividade moral é evidente.
No fim das contas, a chamada “opinião” de artistas mainstream segue sendo uma das maiores inutilidades produzidas nas últimas décadas — um desserviço completo ao debate público. Celebridades não são eleitas, não respondem por políticas públicas e, ainda assim, influenciam milhões sem qualquer responsabilidade.
Talvez seja hora de mudar isso. Quem defende ideias frágeis e consequências graves precisa, ao menos, ser cobrado por elas. A democracia não exige aplauso automático; exige responsabilidade.